Diaries of a Soliloquist |
Soliloquy (n): the act of a character speaking to himself so as to reveal his thoughts to the audience. Rafaella Litvin |
“I once knew a man who could swallow your emotions and put them in someone else, who could read you like you were the thin translucent pages of an open book. He wrote prose like astral projections, and, sooner or later, if you kept drinking in his salty-sweet words, you would start seeing him everywhere, hearing him anywhere. A vision on the street. An echo in the night.”
He wasn’t like everyone else, he rarely talked and when he did, it was to himself. His presence like that of a hummingbird, light as a feather and fleeting, the air itself holding him in place, keeping him from simply fading away. And like the hummingbird’s wings, he never, in the brief time I spent with him, stop. He was always taking things in and writing them down, twisting them around, feeling their weight in his mouth and then dispatching them on to one of his stories.
There was this one scene I never forgot, the day he wrote about me. As of custom, I only noticed his presence after it was too late. It was a hot day in March and I was emotional, the death of my grandfather still too recent for me to continue living normally through that particular month. I’d been sitting on the living room floor, taping away furiously at the keyboard, trying to put it all out so I could hold the tears in, when I heard him muttering to himself, perched at the edge of the sofa looking as if he might fly away at any moment.
I was so angry at myself for not noticing him, so angry that I’d let someone, and not just anyone, him, see me that way. I simply threw the laptop at the floor and stormed away from the room, the tears rolling down freely and the man watching as I went. I knew, of course, how he had savored every bit of emotion that oozed from me, that he lived on that. I knew that, if I looked hard, I would find bits of them inside his characters, or tucked away in between the lines, to be explored later.
But what made that scene really stick with me wasn’t that I’d just been violated, the emptiness of the emotions he had swallowed aching inside of me, what got me returning to that day for years was the look on his face as I ran from him. His eyes were sad, his mouth turned down, not apologizing but almost, this is what I do, it isn’t different with you. He didn’t look pleased with himself as he must have been, after the river of conflicting emotions that had gushed of me right in front of him, instead, he looked sorry for me, genuinely sorry and, that day, I hated him for it.
He used to disappear all the time, one moment here and the next gone. Eventually, though, he went away for good. For a while, I missed his ghostly presence and his soft, whispered monologues. I missed the pages he would slip under my bedroom door while I slept and the ones I found around the garden, taken from him by the wind. However, slowly, so slowly that I only really noticed until it was absurdly obvious, he started to come back.
I would see him watching the sun go down, or hear him describing the way the birds flew and praising the flowerbeds thrumming with life on spring. I saw him in the tears of widows and heard him in the cries of joy of children in the street. His presence was overwhelming at times, but nonetheless comforting.
Still today, I see him around. There are pieces of him, and pieces he took from people inside most everyone by now. I have a hard time telling apart what’s real and what’s him, tinkering with feelings and playing with words. Sometimes, I wonder if all this isn’t simply him, if it wasn’t him that created us all and the world, if he wasn’t so much swallowing our emotions but rather taking away what had always been his and replacing it where he felt it was needed.
Whenever I’m going crazy with the feeling that none of this is real, that every ounce of feeling inside of me is artificial, his face pops up in my mind. His eyes always saying the same: This is what I do, why would you think it would be different with you?
Credits to anatomyofthewrittenword for the wonderful “starter”.
Banho é bom de vez em quando. Queria lavar por dentro e por fora. Pena que não dá, se não vaza. Derramamento de emoções destrói ecossistemas. Deixa quieto. Vou ser imunda para sempre.
Crítica de “A Menina Que Comia Palavras” feita pela minha professora de Literatura.
Era uma vez uma menina que vivia de palavras. Palavras de todos os tamanhos e em todas as línguas. A menina gostava de experimentar então quanto mais esquisita e inusitada a palavra fosse, mais satisfeita ela ficava. Quando bebê, a menina comia pouco. Alguns pronomes e artigos e estava saciada. Foi crescendo e exigindo substantivos. Até que na adolescência entrou em uma fase em que só comia verbos. Fez dietas de sim e não e de onomatopeias. Passou a comer parágrafos inteiros em uma refeição.
O apetite da menina era algo que assustava sua família e amigos. Todos viviam no medo secreto de que a menina acabasse por engolir todas as palavras e eles ficassem sem nenhuma. Diziam a ela que tentasse comer outras coisas. Números, por exemplo, eles eram infinitos afinal. Mas a menina dizia que os números tinham um gosto amargo de falta de significado, e não matavam a sua fome.
Quando a menina fez dezoito anos, seus pais mandaram trazer de longe uma caixa repleta de palavras em árabe. A menina quase transbordou de felicidade. Saboreou letrinha por letrinha até não haver mais nada. Só de pirraça, passou o resto da semana falando árabe.
E assim os anos foram passando. A menina virou mulher e se apaixonou por um poeta. Ele a cortejava com as mais belas das palavras e foi irresistível para a menina, para quem as mesma já vinham, devagarzinho, perdendo um pouco do seu brilho.
Foi uma festa de dar gosto. As músicas eram só as que tinham as letras mais bonitas e os votos dos noivos mesmerizaram a todos que compareceram. Os pais da menina estavam especialmente felizes. Ela não podia ter arranjado homem melhor, o poeta iria mantê-la sempre cheia de palavras e eles não precisariam mais se preocupar com ela os deixando sem nada.
Os primeiros anos do casamento foram os mais felizes da vida dos dois. A menina decorou a pequena cabana em que foram morar com suas palavras favoritas, o poeta sempre tentava voltar para casa com uma surpresinha, um indubitavelmente ou um chatoyant. A menina servia de inspiração para o poeta e o poeta parecia ser o único capaz de suprir o desejo insaciável da menina por palavras.
Mas o tempo passou. Com o apetite da menina crescendo exponencialmente e sem dar sinal de que iria estagnar, o poeta foi deixando de escrever, pois todas suas palavras tinham que ir para a menina. Ela não dizia, mas vivia sempre com fome. Não queria magoar seu amado, que já estava entristecido por quase nada escrever.
E a menina emagrecia e emagrecia enquanto o poeta fazia de tudo para arranjar novas palavras. Eles quase não conversavam mais, pois a menina já tinha comido a maioria dos substantivos e boa parte dos verbos. Fazia força para não engolir certas palavras, pois sabia que sem elas não conseguiria viver.
Era irônico como ela podia amar tanto as palavras, a ponto de precisar delas para viver, mas ser capaz de destruí-las uma por uma, fazendo as sumir dentro do seu ser, até não sobrar quase nada.
Quanto mais magra ela ficava, mais a tristeza na casa aumentava. Os dois pararam de sair, com medo de que, se encontrassem com alguém, a menina engolisse todas as palavras do passante de uma vez. Não queriam causar problema.
A menina percebeu que, na verdade, aquilo era mais uma maldição do que um dom. Para que poder viver de palavras quando a sua existência só privava o mundo delas?
O poeta tentou de tudo. Mandou vir palavras do Japão, da Rússia e de Israel. Até não haver mais nenhuma língua cujas palavras a menina já não tinha provado. Seu desespero aumentava ao ver aquela mulher magrinha comendo um Tolstoi de uma dentada só.
Sem mais alternativas, os dois aceitaram que não havia nada mais a ser feito. A menina foi ficando doente. Como era o único remédio que a poderia fazer melhorar, o poeta oferecia cada dia uma de suas mais prezadas e últimas palavras.
Uma tarde, sem nem poder mais abrir a boca, a menina disse com os olhos que sua hora havia chegado. O poeta entendeu e lhe disse, com lágrimas escorrendo:
- Eu te amo.
Os lábios da menina se separaram levemente e ela engoliu aquelas palavras. Teve certeza de que eram as mais deliciosas que já tinha provado. E, após um último suspiro, a menina que vivia de palavras morreu, com um sorriso no rosto e as palavras do poeta no coração.

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Sound bites from Unspent Time:
“I’m looking into my past lives. I’m convinced some of them still owe me money.”
“I’m very polite by nature, even the voices in my head let each other finish their sentences.”
“I didn’t actually want to do it,” Kiala told the boy. “The universe just kind of conspired to force me to make a fool of myself. It does that quite a lot, actually.”
“Sadly, my socks are like snowflakes, no two are exactly alike.”
Here’s what reviewers had to say:
“A veritable page turner of nonstop laughs!” — Reader Views
“An unputdownable read. a Coens Brothers’ film in book form.” — BookReview.com
“Extremely witty and clever writing.” — California Chronicle
“A Party for your Brain!” — Warren Baxter Bio:
the golden room
ideas materializing
Uma menina anda sozinha. Seus olhos fitam o chão, seu vestido arrasta folhas e terra e vai rapidamente do branco ao marrom.
Dois sapatos de salto destoam em meio a grama baixa e descuidada. O pé direito um pouco a frente do esquerdo, o salto enfiado na terra, a presilha pendendo de alguns poucos fios.
Três homens apertam o passo. A menina não parece perceber que não está de fato sozinha. Eles decidem avisá-la.
- Ei! Florzinha! - Quatro vezes eles gritam e quatro vezes a menina treme. Seu coração dispara. O pânico bloqueia sua garganta e a comunicação entre membros inferiores e cérebro. Ela dispara a correr.
Um, dois, três, quatro, cinco. Ela conta seus passos, ruidosos sobre a terra fria e as folhas secas. Escorrega, perde a conta, começa de novo. Torce para que suas pernas não decidam parar.
Seis olhos transbordam de desejo. Os homens diminuem a distância que os separa do paraíso. A menina jaz em diferentes estados de nudez na mente de cada um.
Há sete anos ela teme o dia de hoje. Planejou sua fuga sem saber que, ao escapar de sua prisão, logo cairia em mais uma armadilha. O vestido de noiva também não ajuda.
Oito vezes a menina tentou fugir - pela janela, pela garagem, pelas lâminas enferrujadas encontradas na casa. Seu captor parecia ter um sentido extra para esse tipo de coisa, também punia livremente, ou teriam sido muitas mais as tentativas.
O nono dia do nono mês. Com tanta adrenalina no sangue, ela quase começa a rir, mas se engasga com o pânico e acaba tossindo. Ela vê como extremamente irônico que o grande dia dele, escolhido com cuidado tantos anos antes, seja também o dela.
Um, dois, três, um dois três umdoistrês UM. Em dez passos largos e estrondosos eles a alcançam. Ela é jogada ao chão, o ar expulso de seus pulmões pelo choque e pelo fedor pútrido dos três monstros, que quase babam ao puxar a gola de seu vestido branco.
Já estava decidida antes mesmo de passar do portão. Nunca mais fará nada contra sua vontade. Dessa vez, ela está pronta.
Nove chutes desesperados deixam um dos homens gemendo no chão e os outros ainda mais excitados. Oito botões e o vento gélido sopra o colo pálido da menina.
Sete anos e enfim, o fim. Seu noivo de seis décadas ficará desapontado, afinal, por cinco vezes ele tentou ser aquele a tomar sua virtude, a possuí-la por completo, tendo sempre sua entrada barrada pela própria moral deturpada.
Com mãos trêmulas ela arranca o quarto pingente da corrente em seu pescoço. Na terceira tentativa, consegue quebrar o fecho, os dois comprimidos lá dentro contém, em suas superfícies alvas, aquilo que por toda vida ela buscou em vão. Ela os joga na boca.
Um deles cai fora e se perde na grama e em seus cabelos. Os homens confusos gritam e a sacodem enquanto ela suavemente se afasta da cena bizarra na qual protagoniza.
Com um leve sorriso, ela engole o comprimido. O pânico é dissolvido. Os homens são silenciados. A liberdade é amarga e de efeito rápido.
As palavras. Eu sinto como se devesse dizer algo sobre elas. Afinal venho as usando tão livremente todo esse tempo. Às vezes tão rápido que não sou nem eu que escolhe as que vão ser usadas mas a ideia que já vem pronta de onde quer que as ideias venham. Às vezes elas faltam, às vezes sobram. Às vezes não tem uma sequer que expresse o que eu estou querendo dizer. Mas não é sobre isso que eu quero falar. Não é sobre ter ou não palavras pra me expressar. É sobre as palavras em si, acho que as vezes a gente se esquece o que está usando pra falar ou escrever. Acha que é só um veículo para transportar as nossas ideias. Na minha opinião, as palavras são mais que isso. É só quando você para pra pensar, pensar mesmo, em qual delas usar que você percebe como elas são diferentes. Percebe que cada uma tem um gosto quando dita em voz alta. Que tem palavras mais agradáveis de escrever que outras. Palavras que enchem o olho e palavras que não importa quantas vezes olhe no dicionário você continua escrevendo errado. Palavras que são tão usadas que dá vontade de banir da vida. Não ouvir por um tempo. Amor. Solidão. Matemática. Palavras raras, só encontradas em livros antigos e na conversa de gente que sabe muito mais que você. Palavras novas. Palavras são realmente umas coisinhas incríveis. Um agrupamento de símbolos aqui, um encontro vocálico ali e tem-se todo um mundo de memórias e sensações, de tijolinhos prontos para construir novas histórias. Se eu pudesse, escolhia devagar e cuidadosamente todas as minhas palavras. Fazia um livro só com as mais bonitas. Um poema só com as mais tristes e uma carta com as mais gostosas de falar. Mas acontece que nem tudo pode virar palavra. E nem toda palavra serve mesmo pra algo que preste. Então a gente fica nessa de procurar por todos os cantos uma que encaixe. Um texto é afinal um grande quebra-cabeça, um mundo de palavrinhas e palavrões algumas colocadas até onde não cabem e outras roubando toda a atenção. Se eu pudesse, construía uma casa inteira só de palavras. Talvez vivendo dentro delas eu conseguisse encontrar os encaixes perfeitos. Talvez eu conseguisse colocar tudo em palavras. Eu, você, o mundo inteiro nessas letras agrupadas que conseguem expressar tanto sem nem suar. Enquanto isso eu continuo tentando e falhando miseravelmente em encontrar palavras para explicar.
Anonymous asked: what is the meaning of estar muito cedo para o amor
It being too soon for love.
They call it the Lonely House. Not exactly the best name for real estate, but, then again, the people who live there aren’t all that...
Yay! :)
Here you go (and no matter how it turns out, if you do decide to do something with it, I would LOVE to read it, and I might even feature it...
There are all sorts of ways to emphasize what was mundane, outline routine, describe the boredom consuming our protagonist, but that’s at least...
Prompt idea by imaginingatower:
Write about the days of the week as individual personalities.
I’m the tiniest...
Prompt idea by Release:
Write about two people who meet through therapy.
This is a one act I wrote a...
She can paint a lovely picture but this picture has a twist. Her paintbrush is a razor and her canvas is her wrist. She paints her pretty picture in...
There was a beautiful sorrow here.
When he was led to the pyre, he watched the sun wink its cold scattered...
Today was his birthday. His thirty-second, to be exact. And he was terribly excited, because this...
Dear Beslyn Marilyn Marahn, wherever you are—
I took the bus this morning.
It was…a strange...